Aprendendo um idioma do zero

 

Nos últimos anos o aprendizado de línguas tem tido mudanças tremendas com o uso da internet. Nunca foi tão fácil e ao mesmo tempo confuso aprender um novo idioma.

Isso significa que os cursos presenciais vão ficar obsoletos?

Não. Significa apenas que eles precisam se adaptar, mudando as metodologias  e conceitos. Até porque pessoas são diferentes e ainda uma boa parcela prefere um contato mais pessoal num ambiente físico.

 

É possível ficar fluente num idioma sem viajar para o exterior?

Antigamente devido a falta de recursos e materiais a única forma de ficar imerso num idioma era visitando o país em que a língua era falada. Ou viver numa comunidade ou família que tinham estrangeiros e descendentes que se comunicavam no idioma alvo. Mas hoje, com a difusão da internet isso mudou completamente.

Na internet podemos encontrar praticamente de tudo. E no caso dos idiomas temos acesso praticamente ilimitado aos conteúdos em forma de vídeos, áudios, textos, artigos, livros digitais, skype, etc. E justamente por essa gama imensa de informação muitos acabam se perdendo, sem saber nem por onde começar.

A grande estratégia por trás dos que conseguem aprender idiomas em pouco tempo é usar metodologias de poliglotas e o uso de programas para ajudar na memorização como o Anki:

SRS

 

Existem idiomas mais fáceis e outros difíceis ou impossíveis de aprender?

Na verdade o que existem são idiomas mais próximos do português e outros mais distantes. O espanhol é mais fácil do que o chinês porque ele tem estruturas, vocabulários e pronúncia muito próximos do português. Já o chinês é um idioma tonal, usa ideogramas para a escrita e os costumes e a cultura são bem diferentes na Ásia.

É como sairmos de São Paulo e compararmos a distância entre Buenos Aires, Nova Iorque e Tóquio. A medida que a distância entre os idiomas aumenta, o tempo necessário para atingirmos a fluência aumenta.

Para um coreano é mais fácil aprender japonês devido a proximidade das culturas e das estruturas usadas pelos dois povos. Mas é mais fácil para um brasileiro aprender italiano do que um asiático, pois o português pertence à família das línguas neo-latinas.

 

Por que pessoas que estudam tanto tempo, não conseguem falar inglês fluentemente?

Aqui entra um conceito muito importante que não é abordado e ensinado nas escolas: o Input. 

Input é absorver informação por meio da escuta e da leitura. São atividades passivas em que treinamos a habilidade da compreensão oral e da leitura.

Já o Output é o contrário disso, onde nós colocamos informação para fora. São as atividades ativas de falar e escrever.

Em muitos cursos os estudantes são forçados a produzir conteúdo precocemente seja escrevendo ou falando. E os resultados são lentos ou inexistentes. O input é escasso e controlado, até porque o professor tem um limite de tempo para passar o conteúdo.

Um problema comum é que para facilitar a didática os materiais usam um “inglês enlatado” ou fake. É um inglês artificial bem mais lento que o normal e com vocabulário adaptado para que seja mais fácil de compreender. E como todos os estudantes passam a falar e ouvir somente nesse ritmo, quando confrontam com o inglês real acabam não entendendo nada. Aí muitos dizem que “os nativos falam rápido demais”.

Na verdade (desculpem a franqueza) os alunos é que não estão acostumados com o spoken english. Prova disso é que os desenhos e programas infantis não são lentos para que as crianças nativas entendam. E existem alunos que relatam que entendem os inglês de brasileiros, mas não entendem o “inglês dos outros.”

A solução é o listening  de conteúdo feito de nativos para nativos. Podemos assim, assimilar o inglês real com gírias, interjeições, expressões, sotaque e pronúncia direto da fonte.

 

O problema é: “Como vamos assistir um filme ou seriado numa segunda língua que não dominamos?”

Essa é uma boa pergunta, pois existem muitos métodos. Afinal de contas é preciso adquirir um certo nível de compreensão antes de usufruirmos do conteúdo real.

→ Um método usado é  começar assistindo um filme ou seriado com áudio e legendas em inglês. Tendo o cuidado de ir pausando e anotando as falas dos personagens. É um tanto trabalhoso e necessita da ajuda de um bom dicionário. Depois de muitos filmes e séries seu vocabulário e a sua compreensão oral aumentam muito.

→ Outro método é o estudo ativo de textos com áudios. Ou seja, sente na cadeira e coloque a mão na massa todos os dias por alguns minutos. Leia a tradução do texto, leia em inglês e ouça o áudio várias vezes.

Fazendo isso seu nível de compreensão vai aumentando e quando você assiste filmes, o que era barulho passa a se tornar compreensível.

No começo você entende uns 5%, mas com o tempo você vai evoluindo até que passa a entender uns 80% dos filmes sem legenda. Nesse ponto você pode até parar de estudar ativamente e focar apenas em devorar séries e filmes, o que se torna um estudo passivo.

Nesse estágio, você passa a não ver mais o idioma como uma obrigação, mas como um passatempo. E pode aí sim, fazer aulas de conversação e focar no output.

 

Por que as crianças aprendem com mais facilidade? A idade influi mesmo?

 

tempo para aprender um idioma

 

Crianças absorvem o idioma com mais facilidade porque não tem bloqueios mentais como um adulto. Elas simplesmente aceitam o idioma como ele é e imitam as pessoas à sua volta.

A idade não influi em termos de capacidade mental, isso é um mito. Na verdade existem outros 2 problemas que dificultam o aprendizado dos adultos:

→ O primeiro é justamente a busca pelo perfeccionismo. Nas escolas e cursos o aluno é forçado a decorar as regras e é punido quando comete erros. Isso faz com que a pessoa tenha que saber exatamente como funciona a gramática e a pronúncia. Espera-se que já logo de começo fale e escreva tudo perfeitamente, o que é totalmente insano.

→ O segundo problema é o tempo, pois adultos tem obrigações e uma agenda muitas vezes lotadas de compromissos. Isso faz com o tempo de exposição e ao estudo de outro idioma seja muito menor comparado com uma criança. Principalmente contando o tempo em horas e não em meses ou anos.

O que vai fazer um adulto aprender ou não um idioma é a convivência constante com o idioma e um ambiente sem pressão psicológica. Ele vai absorvendo conteúdo compreensível em grande quantidade de forma natural e sem ansiedade.

 

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